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quinta-feira, 21 de julho de 2016

Fuga

Meu primeiro sintoma de stress é quando sinto aquela vontade de fugir, de estar em outro lugar longe de tudo e de todos. É normal do ser humano querer fugir da situação quando acontece algo que não estamos conseguindo lidar, quando sentimos que a situação está fugindo do nosso controle. Ao invés de solucionar, pronto, mais fácil, vamos viajar. Pra não ter que resolver, às vezes até se mudam de mala e cuia pra outro endereço.

Hoje em dia vejo muitos jovens (e quando falo isso já não me sinto mais tão jovem) não se demorando muito em relacionamentos e trabalho. Quando acham que aquilo não está mais lhe trazendo nenhum benefício, eles se desinteressam muito facilmente. No quesito relacionamentos, chega a ser decepcionante a forma como tratam o outro, como se ali na esquina já fossem achar outro sujeito mais interessante e que faça o que eles querem. No estudo, eles não tem paciência, querem ver resultados de imediato. Se fazem dieta, já querem emagrecer e atingir os objetivos logo no primeiro mês. No trabalho, logo já estão procurando outra coisa antes mesmo de se cansar do emprego. 

Estamos sempre querendo mais. E não acho que isso seja ruim. O problema está quando aquilo que você tem ainda tem serventia pra você aprender e evoluir como pessoa. Mas só porque algum obstáculo apareceu, você nem tenta consertar. Logo substitui. Porque não renovar o que já se tem?

Fugir do que é difícil é muito fácil. Difícil mesmo é aguentar, esperar, analisar, tentar achar alguma solução que não seja abandonar. Covardia querer fugir antes que se surpreenda com o que pode acontecer no lugar que está. 

Viajar às vezes é uma alternativa usada. Também não acho que seja errado. Faz bem uma viagem. Mas viaje não para fugir do problema. Viaje com a intenção de se conhecer melhor e de aproveitar a vida. Nunca para fugir de uma situação. Afinal, o sentimento viaja junto com a gente, onde quer que a gente esteja. Quando viajar, viaje em si mesmo primeiramente. Depois que o interior estiver todo descoberto, daí sim desbravar o exterior é uma ótima solução.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Teoria das Reticências

Muita gente próxima a mim sempre vive me dizendo: lá vem a Lívia e suas teorias... Pois bem, resolvi expor uma delas aqui para todos... Hoje escolhi a teoria das reticências... Tudo começou quando minha mãe e uma amiga minha estavam aqui em casa lendo um texto escrito por mim há muito tempo e falaram que eu colocava muitas reticências até onde não necessitava... Nunca tinha percebido essa minha tendência às reticências... Você já percebeu algo estranho nesse primeiro trecho...? Vou ver até onde eu aguento com elas...

Depois que elas mencionaram essa minha mania, minha amiga disse: é porque tu sempre deixa reticências nas tuas relações também... tu nunca terminou uma relação por inteiro, sempre deixou algo no ar... E minha mãe, pra completar, concordou... Eu comecei a me observar... Realmente tinha algo de verdade naquilo que elas disseram... Hoje em dia já não me sinto com essa característica tão forte assim... Mas ainda continuo deixando muitas coisas no ar... Prefiro sempre deixar na dúvida, do que dar total certeza da minha intenção pra outra pessoa...

Sempre deixei inacabadas relações que não tiveram duração longa... Namoros eu sempre acabei 100%. Nenhum dos meus ex eu mantenho uma relação que fique algo no ar, sempre tudo muito às claras, sem deixas. Mas em compensação outros romances sempre ficaram em abertos... nunca um ponto final. Sempre vírgulas, "e se..." ou reticências...

Afinal, o mistério é o que faz a relação (qualquer relação) durar mais... Se eu mostrar tudo de uma vez só, que graça teria? É preciso sempre surprender o outro... e surpresa nada mais é do que ter sempre algo novo a ser mostrado... E quando achar que já mostrou tudo, saber reinventar o que já é conhecido... Haja criatividade nos relacionamentos...

Hoje em dia, até uso as reticências, porém me mantenho no mesmo texto, cultivando as palavras inesgotavelmente neste mesmo assunto, admirando as vírgulas, adiando um ponto final. Deste meu texto atual, aceito dois pontos, exclamo as alegrias, interrogo os obstáculos, volte e meia dou uns travessões, mas luto todos os dias para que o texto nunca acabe, só se reescreva.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

2016

Ano de organização, de pôr o corpo e a mente em ordem. Os dois últimos anos pra mim foram de muito amadurecimento. Quem esteve próximo de mim sabe o quanto me dediquei a ser uma pessoa melhor e a acreditar que uma mudança repentina pudesse me levar a ser essa pessoa que eu sempre quis ser.

A cada dia que passa vejo que o que falta ainda é a organização. E isso inclui não só arrumar a casa, reformas, quanto a reformas por dentro também. Estou desde outubro consultando com nutricionista, indo no pilates e academia (sem faltas e desculpas), além de correr quando dá uma brechinha na rotina do meu dia a dia. Agora a mente, essa é cruel. Quem sofre de ansiedade ou já sofreu depressão sabe o quanto é difícil a gente controlar essa geringonça chamada mente humana. Mas sempre fui de me desafiar e de querer me conhecer mais e mais. Talvez por isso esse seja um ano de rompimento com várias barreiras que me fizeram bloquear ao longo dos anos. Algumas já conquistadas, outras ainda por enfrentar. 

O que nos torna melhores é a nossa capacidade de transformação interior. Nada nem ninguém pode nos mudar até que nós mesmos estejamos conscientes de que a mudança está dentro de nós. Essa é uma luta diária e solitária. Ninguém pode nos ajudar. Pode alertar, mas fazer pela gente não. Este ano me propus a isso. E nesse início de ano já sinto que algumas coisas estão mudando só com esse pensamento mais positivo e mais controlado. 

Saber dosar qual sentimento devemos alimentar. É como se cada sentimento tivesse um animalzinho dentro da nossa cabeça. Ainda não assiste ao filme "Divertidamente", mas segundo meus alunos mais pequenos ele retrata exatamente esta ideia que eu já tinha tido sobre nossos sentimentos e como pensamos a respeito deles. Devemos saber dar a quantidade certa de alimento para cada sentimento. O medo pode existir sim, mas não deve ser alimento mais do que a coragem de enfrentá-lo. A raiva pode existir sim, porque ela nos move, nos faz reagir, mas não deve ganhar mais "bóia" do que a paciência de resolver uma situação.

Quando nos conhecemos mais a fundo é mais fácil controlar o corpo e a mente. Tudo que é desconhecido nos gera insegurança e nos faz perder o controle. Por isso acredito que há um triângulo essencial no ser humano: conhecimento, controle e segurança. E isso serve pra tudo, pra relacionamentos, para nós mesmos, para o canto que é a minha profissão. Seguido converso com meus alunos e lhes digo: enquanto vocês não se conhecerem, não perceberem o que está acontecendo no corpo de vocês enquanto cantam, não vão ter o controle da sua voz. Quando conhecerem, vão conseguir controlar e automaticamente a segurança de cantar naturalmente vem.

Na vida, no trabalho, a mesma coisa. Só a partir do momento que você sabe quem é, você consegue controlar melhor suas emoções, seus pensamentos e se sentirá seguro para lidar com qualquer problema que aparecer. Então "bora" trabalhar em si mesmo neste 2016! Desejo muita transformação a todos que me acompanham aqui no blog.


PS: O blog também faz parte dessa minha organização para 2016. Prometo a mim mesma que não vou deixar de escrever, porque isso me faz um bem enorme.

sábado, 3 de janeiro de 2015

Complete-se!

Vivemos esperando aquele alguém perfeito, do jeito que a gente sempre sonhou. Mas não conseguimos enxergar certas vezes aquele alguém que é perfeito para o que a gente precisa. Ninguém cruza nosso caminho por acaso, nisso eu acredito. Para cada momento, há pessoas que a gente precisa conviver, mesmo às vezes não gostando muito, não aprovando certas atitudes do outro. Mas precisamos passar por aquela experiência, com alguém daquela personalidade para aprendermos com nós mesmos. Às vezes não nos encaixamos porque somos muito iguais, outras por sermos muito diferentes. Mas a verdade é que cada um tem aquilo que precisa para ser alguém melhor.

Tenho muitas amigas que vivem escolhendo rapazes e estão sempre sozinhas. Não que tenha que sair namorando qualquer um. Mas são exigentes demais. Nada é bom o bastante. Enxergam mais os defeitos do rapaz do que o que ele realmente tem de bom. Enxergam mais a aparência, do que o que há por dentro. Mais a beleza do que o próprio caráter. Não digo que vão morrer sozinhas. Mas enquanto verem o futuro só através de uma outra pessoa em suas vidas, não evoluirão. 

Precisamos ser alguém melhor pra conquistar alguém melhor. Se quer alguém perfeito, primeiro seja perfeito para si mesmo. Procure evoluir, procure melhorar como pessoa. Não pelas outras pessoas, não apenas para conviver melhor, mas por você mesmo. Quando se muda não é pra agradar aos outros, mas a si próprio. A gente se sente melhor quando consegue fazer as outras pessoas ao nosso redor melhores também. 

Eu diria que essas pessoas que só procuram, não se acham, não se encontraram. Por isso procuram o que falta, porque não se sentem completas. Mas o que falta na gente não virá apenas de uma outra pessoa, mas sim da experiência que você tiver com as outras pessoas a sua volta. É tudo compartilhado. Você se alimenta daquilo que você transmite. Por isso para 2015 eu desejo que você se ache. Não procure fora! Se encontre dentro! Se complete por dentro para depois encontrar algo que o agregue lá fora. É o que eu desejo pra mim, é o que eu desejo pra todo mundo. Feliz ano novo!

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Perfurando o tímpano e tirando os sisos

Este ano foi de reflexão total sobre minha vida e como eu andava agindo nos últimos tempos. Quando a gente fica parado muito tempo por algum motivo, a gente pensa mais. E eu que já penso demais na vida, ter que fazer férias forçadas duas vezes no mesmo ano me acarretou tempo de sobra pra refletir. 

Nunca pensei que perfurar o tímpano e tirar os sisos me trouxessem coisas boas! Mas tenho que confessar, muita coisa mudou neste último ano. Fiquei mais focada, mais objetiva em alguns pontos. Antes fazia um monte de coisas ao mesmo tempo. Hoje em dia ainda faço. Mas desde que perfurei o tímpano não consigo mais ouvir conversas paralelas, por exemplo. Ouço apenas uma coisa de cada vez (acho que deve ser por isso que aquele programa da Fátima Bernardes me causa tanta agonia, é muito microfone ligado).

Agora que tirei os sisos tive de ficar de boca fechada por uns dias. Falar menos, ouvir mais. Estou me ouvindo mais, meditando, conversando comigo mesma. Estou mais em mim do que nunca estive. Mas eu sempre fui de refletir sobre a vida, até demais! O que mudou foi a forma de pensar. Mais leve, menos culpada, mais madura, mais positiva. Tenho mais conhecimento de mim, maior controle sobre meus pensamentos. E isso fez também com que meus sentimentos mudassem. Identifico antecipadamente alguns sintomas e já consigo trabalhar melhor minhas angústias. 

Consegui até ver um lado bom em perfurar o tímpano e tirar os sisos. Quem diria, Dona Lívia! É bom a gente se surpreender consigo e superar nossos limites dia após dia. A gente sempre se redescobre e aprende a ver o lado positivo de qualquer fato na vida. Ou, pelo menos, amenizar alguns. Mas chega de acontecer imprevistos! Chega de férias inesperadas! Já tirei os dentes do juízo! O resto permanece mais ajuizado do que nunca!!

domingo, 13 de outubro de 2013

Eu sou o que a criança de mim sonhou

Acho que muito da minha espontaneidade, que muitas pessoas dizem gostar em mim, vem dessa coisa de nunca deixar a criança que há dentro de mim morrer. Não está ligada a falta de responsabilidade ou imaturidade. Apenas consigo enxergar as coisas simples da vida de uma maneira muito natural, sem aqueles bloqueios que os adultos vão adquirindo com o tempo, enrijecendo a maneira de pensar com medo do que as outras pessoas vão pensar.
Tenho certeza que aquela criança que um dia eu fui, estaria orgulhosa do que me tornei. Claro que muitos dos sonhos que eu tinha não aconteceram exatamente como eu imaginei, mas outras coisas aconteceram e foram muito melhores do que qualquer coisa que passasse pela minha cabeça naquela época.

Passei por tantos momentos que tive aquela sensação de já ter me imaginado naquela mesma situação, e isso só me faz acreditar mais e mais nessa coisa de atrair coisas boas com pensamentos positivos. Tudo flui tão bem quando a gente está de coração aberto para o mundo e para o que ele tem para oferecer para a gente naquele exato momento.

A criança que eu fui ainda está aqui de alguma forma. Quando me olho no espelho ainda me vejo ali do mesmo jeitinho, me encarando frente a frente, me questionando o que ainda não fiz, me jogando na cara tudo aquilo que fico dando desculpas de não fazer por não ter tempo ou colocando a culpa em outra coisa (assim como os adultos adoram fazer quando não querem assumir mesmo sabendo que o único sujeito que pode fazer alguma coisa por você é você mesmo).

No fundo no fundo aquela "velha criança" está ali a todo momento, mas vai se transformando, se moldando. Ainda com os mesmos sonhos, as mesmas angústias, os mesmos sentimentos só que com outros nomes, com outras caras. Aquela criança envergonhada pode ter mudado sim, mas com certeza luta todos os dias quando está numa situação onde precisa se expor. Só tomou mais coragem, mais malandragem para lidar com aquilo que antes ela não entendia. A gente aprende a se conhecer, a se dominar. Toma as rédeas da própria vida e vai, segue. 

Quando a gente é criança, quer porque quer crescer e poder fazer o que só os adultos podem fazer. Ter liberdade pra fazer o que quiser, sem pedir nada pra ninguém. E o que fazer com a independência que se conquistou? Nada se parece com aquela magia que se imaginava ser a vida adulta. Às vezes dá vontade de fugir pra infância. De ficar um pouco por lá, curtir um dia inteirinho pra brincar, pular, correr, se sujar, sem ter hora pra voltar pro trabalho, sem ter que se preocupar com mais nada a não ser viver aquele dia e deixar a juventude passar novamente só pra poder aproveitar de uma nova forma, sem pressa. Então, hoje é o dia pra ficar perto das crianças e poder resgatar um pouco dessa forma diferente de ver a vida e se contagiar com essa magia pelo menos por um dia. Vou ali fugir um pouco pra infância com minha afilhada, ganhar um colinho de mãe e amanhã eu volto pro trabalho. 

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Vida dividida

Já me definiram em uma entrevista que eu era "uma comunicadora com um pé na música, ou uma cantora com alma de comunicadora". Enfim, nem eu sei me definir por completo. Mas este ano decidi ficar só com a música e largar da Comunicação Social. Uma experiência que eu desejava há anos, mas nunca tive coragem de largar por inteiro nenhuma das duas.


Pra falar a verdade, acho que eu devia isso à música. Eu sempre disse que não fui eu quem a escolhi. Foi a música que me escolheu. E tudo foi me levando pra ela. E agora que eu me entreguei por completo vi o quanto as coisas podem fluir.


Acho que de tanto as pessoas falarem pra gente que música não dá dinheiro, que música não enche a barriga, eu acabei não acreditando mais nela. E pior, acabei não acreditando mais em mim. Hoje vejo que consigo viver numa boa dando aulas de música e cantando e tocando em bares e eventos. Não tenho luxo algum, mas não devo nada a ninguém e tenho comida sempre na mesa.


Sim, confesso: sinto falta do povo louco da comunicação. Sinto falta das novidades, do dia a dia da comunicação. Sempre havia uma coisa nova, uma pessoa nova... conheci muita gente trabalhando e estudando nesta área. Foram-se quase 10 anos. Mas confesso que sair da Unisc me possibilitou fazer muitas coisas que há tempo eu já queria, mas a falta de tempo não me permitia.


Sair da Unisc simbolizou uma mudança de "estudante" pra "trabalhadora". E isso foi acontecendo em conjunto de uma série de coisas que me amadureceram aos poucos. Virei dona de casa. Voltei a dançar. Foi uma mudança bem radical, na verdade.


Não digo que nunca voltarei pra comunicação. Não posso também dizer que os anos na faculdade não serviram pra nada. Uso comunicação todos os dias da minha vida. Sou professora de música, estou sempre nos palcos e com certeza me utilizo muito de tudo que aprendi em minha formação acadêmica. Mas sinceramente, não me vejo mais dentro do curso. E olha que eu sabia lá no fundo que se um dia saísse, talvez não iria querer voltar.


É difícil parar, mas quando se pára de estudar, é muito difícil querer voltar. Quem sabe um dia eu volte e termine minha segunda graduação (faltavam apenas 6 disciplinas para me formar novamente). Não é apenas preguiça, mas a música e a dança estão me proporcionando momentos que sempre quis passar. Acho que na verdade eu que nunca me permiti sentir e viver isso.


Por isso, sempre digo: SE TU TENS VONTADE, O RESTO É BOBAGEM. Se você realmente gosta muito de algo, você vai e faz. A gente tem mania de ficar inventando desculpa pra não ser feliz. Nunca é tarde pra recomeçar. É preciso coragem, mas quando você quer, você arranja tempo, você arranja força e faz acontecer!

terça-feira, 27 de julho de 2010

Apenas uma reflexão do meu momento

Este ano completou 4 anos que eu toco em barzinhos. Passou tão rápido e ao mesmo tempo eu vi muita, muita coisa acontecer. Tantas coisas que poderia escrever um livro sobre tudo que eu vejo do palco e por trás dos palcos. Aprendi muito no bar. Coisas que nenhuma escola, nenhuma aula de canto, nenhum canudo de graduação me ensinaria. Perdi o medo de falar em público, adquiri muita cara de pau mesmo. E de um ano pra cá, tenho me sentido mais livre. Mais à vontade, mais eu. E não levem para o lado egocêntrico da coisa. Eu simplesmente acho que me aceitei como Lívia e aprendi a me conhecer melhor. Aprendi a gostar de mim e a mostrar para as outras pessoas como eu quero que elas me vejam.


Acho que tudo veio de um processo bem lento, mas que valeu muito a pena e eu consigo perceber todo o resultado. Finalmente estou colhendo os primeiros frutos de uma plantação que custou vários desafios. E o pior desafio estava aqui, bem dentro de mim. Ops, eu mesma. Parei de achar que o mundo estava contra mim, simplesmente aceito quando não estou bem e vivo aquele dia como um dia passageiro, um dia para refletir, para me conformar que nem todos os dias são iguais, nem são tão bons assim. Mas amanhã terá sol. Amanhã eu terei uma outra chance. E o fato de eu pensar que amanhã existirá, é porque tenho fé. Pra mim, o meu gesto de colocar o relógio para despertar no outro dia, é sinal de que eu tenho fé.


E quando comecei a acreditar em mim e tomar posse dessa pessoa que me tornei e de que tenho orgulho, aceitei melhor o tempo que as coisas acontecem. E cada coisa tem o seu tempo. Eu também tive o meu. Não foi da noite pro dia que eu comecei a cantar, não foi num piscar de olhos que eu toquei piano, tudo fez parte de um processo. "A gente não se liberta de um hábito atirando-o pela janela: é preciso fazê-lo descer a escada, degrau por degrau" (Mark Twain). E até eu processar tudo, foi o tempo certo para eu chegar aqui e perceber todos estes resultados. E valorizá-los. E como é difícil a gente se perceber. É muito mais fácil perceber as mudanças nas outras pessoas, incluindo as rugas, as manias e tudo que é defeito nos outros. Como eu me olho todos os dias no espelho, parece que eu sou aquela velha menina tímida, desconfiada, desajeitada....


Ainda bem que o tempo colaborou! Mas se eu não fizesse nada por mim, nada mudaria. Sempre gostei de me desafiar e de nunca me conformar com: "ah eu nasci assim e pronto, o resto que me aguente!". Não que eu queira agradar as outras pessoas, mas acho que gentileza, educação, bom caráter, são princípios básicos para uma boa convivência e indo ao encontro da campanha que está rolando na UNISC, eu quero ser lembrada como uma boa pessoa. E eu não mudo pelos outros, mudo por mim mesma, pelo que eu acho certo. Pelo que eu acho melhor pra mim. Aliás, acho que no fundo, ninguém muda por ninguém não. A gente só muda quando enxerga que aquilo ali tem que ser assim porque a gente acha que é o melhor pra gente, e não porque outra pessoa acha isso.


Enfim, comecei o texto falando dos barzinhos. Pois bem, posso dizer que os "botecos" me ensinaram muito. Aprendi a lidar com pessoas diferentes, a observar como as pessoas agem em grupos (na noite todo mundo quer conquistar o outro, independente de qualquer intenção), aprendi a vender minha dupla e banda, a entender um pouco mais do que se passa na cabeça dos contratantes, em como eu posso fazer pra eles me entenderem, aprendi em como conquistar o público (com humildade e um bom e largo sorriso no rosto). Quando eu subo no palco, esqueço o que estava lá atrás (problemas, preocupações) e estou ali assim como o garçon está para o bar. Sim, não posso pensar que estou fazendo um show num boteco. Ali eu sou um legítimo cartão de visitas. As pessoas podem entrar no bar e se sentirem à vontade com o ambiente, com a decoração. Mas se as peças vivas que compõem o bar não estiverem de acordo com esse "aconchego", pode ter certeza: os clientes não voltarão outra vez ao mesmo bar. Por exemplo, se eu ficar aumentando o volume pra que eles prestem atenção em mim a todo custo, só vou afastá-los do meu objetivo. E do objetivo do dono do bar também. Eu sei: o dono quer que eles bebam mais pra vender cerveja, as pessoas estão indo lá pra se divertir e se distanciar dos seus problemas em casa e no trabalho, e eu estou lá pra fazer o que gosto e ganhar meu dinheiro no final da noite. Mas não é só isso. Entender esse processo que estou há 4 anos, me deixa mais conformada porque sei que o que eu tinha pra absorver de observações e aprendizado, eu consegui ao longo desse tempo. O boteco me ensinou e eu "me deixei aprender"!