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segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Perfurando o tímpano e tirando os sisos

Este ano foi de reflexão total sobre minha vida e como eu andava agindo nos últimos tempos. Quando a gente fica parado muito tempo por algum motivo, a gente pensa mais. E eu que já penso demais na vida, ter que fazer férias forçadas duas vezes no mesmo ano me acarretou tempo de sobra pra refletir. 

Nunca pensei que perfurar o tímpano e tirar os sisos me trouxessem coisas boas! Mas tenho que confessar, muita coisa mudou neste último ano. Fiquei mais focada, mais objetiva em alguns pontos. Antes fazia um monte de coisas ao mesmo tempo. Hoje em dia ainda faço. Mas desde que perfurei o tímpano não consigo mais ouvir conversas paralelas, por exemplo. Ouço apenas uma coisa de cada vez (acho que deve ser por isso que aquele programa da Fátima Bernardes me causa tanta agonia, é muito microfone ligado).

Agora que tirei os sisos tive de ficar de boca fechada por uns dias. Falar menos, ouvir mais. Estou me ouvindo mais, meditando, conversando comigo mesma. Estou mais em mim do que nunca estive. Mas eu sempre fui de refletir sobre a vida, até demais! O que mudou foi a forma de pensar. Mais leve, menos culpada, mais madura, mais positiva. Tenho mais conhecimento de mim, maior controle sobre meus pensamentos. E isso fez também com que meus sentimentos mudassem. Identifico antecipadamente alguns sintomas e já consigo trabalhar melhor minhas angústias. 

Consegui até ver um lado bom em perfurar o tímpano e tirar os sisos. Quem diria, Dona Lívia! É bom a gente se surpreender consigo e superar nossos limites dia após dia. A gente sempre se redescobre e aprende a ver o lado positivo de qualquer fato na vida. Ou, pelo menos, amenizar alguns. Mas chega de acontecer imprevistos! Chega de férias inesperadas! Já tirei os dentes do juízo! O resto permanece mais ajuizado do que nunca!!

sábado, 11 de maio de 2013

Descobrindo-se

Hoje resolvi me descobrir!


Cavocar uma Lívia que nem eu mesma conheço. Descobrir-se dessa máscara que a gente põe todos os dias pra esconder do mundo, e da gente mesmo, aquilo que no fundo nos faz ser quem somos. Descobrir-se de todos os rancores, de todas as angústias, de todas as ilusões, de tudo que não me acrescenta.  

Uma semana foi o prazo que me dei. Uma semana para me entender, para cuidar de mim, para fazer algo por mim mesma. Para encontrar a felicidade dentro de mim, sem depender de nada nem ninguém. Apenas ser e estar feliz por saber quem eu sou. 

Entender minhas limitações, minhas fraquezas, encarar-me no espelho e ser alguém melhor pra mim mesma. Descobrir lá dentro o que quero transmitir aqui fora. Trazer no olhar o que eu quero que volte pra mim como se existisse um espelho ao meu redor refletindo minhas atitudes e meus pensamentos.

Não quero responder minhas perguntas. Não espero que se acabem minhas dúvidas. Apenas quero estar preparada pra enfrentá-las como a Lívia que eu sempre quis ser.

É difícil se olhar no espelho e descobrir-se. Ver por trás desse corpo o que realmente constitui o meu ser. Difícil encarar meus medos sozinha. Mas é tão bom se permitir ficar sozinho e ouvir o seu coração, se conhecer a fundo e se amar. Não é egoísmo, é simplesmente entender que se você estiver em paz consigo mesmo o resto acontece, flui, e as coisas se resolvem bem mais fáceis. Os problemas não vão acabar. Mas você vai saber lidar com eles quando aparecerem. 

"Não há lugar pada onde correr: as mudanças, quando precisam acontecer, sabem como nos encontrar" (Ana Jácomo). Exatamente assim. Não adianta fugir do problema. É preciso permanecer ali, enfrentá-lo e descobrir-se muito mais forte do que se imagina para superá-lo. Se a gente não encarar o problema de frente, empurrar com a barriga, deixar pra depois, não vai adiantar. Alguma coisa lá na frente vai acontecer e trazer à tona o mesmo problema. E quando menos esperar vai se encontrar novamente diante da mesma dúvida: E agora? Quer saber? Assuma o controle de si mesmo e resolva! Descubra-se!

terça-feira, 4 de maio de 2010

Quem cala, consente!

Tenho notado em vários comentários com amigos que as relações se complicam justamente no silêncio. Algumas precisam de mais silêncio mesmo e o mínimo de interferências externas. Mas a maioria acaba se afundando em um silêncio que vai se acumulando ao longo dos anos. O marido tem certeza que a mulher sabe que ele não gosta de cebola no arroz. A mulher tem certeza que o marido sabe que ela não gosta que apertem a pasta de dente de uma tal maneira. Mas, na realidade, nenhum sabe dos gostos um do outro. 

Porque no início da relação é uma fase de descoberta constante. Tudo é motivo de curiosidade: Como tu gosta que te façam carinho? Qual é a parte que você mais gosta em mim? O que você mais gosta de comer? Qual a sua cor preferida? Você quer descobrir tudo do outro, pra agradar e conquistar este outro. Aí a paixão vai embora, as perguntas começam a ser menos frequentes e o silêncio vai tomando conta. Não se tem mais o que descobrir. Eu já sei tudo. Conheço ele há anos, ele nunca faria isso. Porque o meu marido gosta disso assim. Porque minha mulher sempre fala assim. Parece que nada mais nos surpreende.

Você tem certeza que seu marido sabe que você não gosta de lavar a louça, porque você sempre foge, vai no banheiro e só chega na cozinha quando ele já está lavando. Ou ele nunca faz isso e você fica "p da vida" porque ele faz isso de propósito. Ora, ele sabe que eu não gosto e mesmo assim não colabora. Mas você nunca disse: amor, prefiro secar a louça, vamos manter um trato? Quem cozinha, seca a louça? 

Ele tem certeza que você prefere passar a roupa do que tirar o pó, porque você nunca tira o pó. Não! Ele simplesmente não tem bola de cristal pra saber que você não gosta disso, simplesmente porque não faz. Simplesmente ele não sabe, porque você nunca disse.

E se baseando em deduções, a gente vai deixando o silêncio falar mais alto, acumulando fatos e atritos que quando chegarem a certo ponto, vão incomodar tanto que vão parecer catástrofes. Vão causar brigas desnecessárias, por bobagens que você vai parar uma hora e vai se perguntar: Nossa, porque a gente tá brigando por isso? Que coisa à toa! Mas mesmo sabendo disso, você vai ficar se remoendo e vai querer discutir até que o outro entenda, por bem ou por mal, que você quer as coisas do seu jeito. Porque aí nesse ponto, nem vai importar o que o outro prefere. Você já está querendo é se vingar do desgraçado que insiste em fazer daquele jeito, mesmo sabendo que você não gosta, só pra te irritar.

E o outro? Nem sabe. Nem tem como entender o porque dessa tempestade em copo d'água. Porque o silêncio fez questão de esconder o porquê. Ele é quem está no controle da situação agora. O diálogo já está fora do vocabulário de muitos relacionamentos. Talvez até o marido e a mulher já estejam fora desses relacionamentos. Talvez não fisicamente, mas em pensamento... já era! E garanto que quando acabar, não vão nem saber o porquê.