Já me definiram em uma entrevista que eu era "uma comunicadora com um pé na música, ou uma cantora com alma de comunicadora". Enfim, nem eu sei me definir por completo. Mas este ano decidi ficar só com a música e largar da Comunicação Social. Uma experiência que eu desejava há anos, mas nunca tive coragem de largar por inteiro nenhuma das duas.
Pra falar a verdade, acho que eu devia isso à música. Eu sempre disse que não fui eu quem a escolhi. Foi a música que me escolheu. E tudo foi me levando pra ela. E agora que eu me entreguei por completo vi o quanto as coisas podem fluir.
Acho que de tanto as pessoas falarem pra gente que música não dá dinheiro, que música não enche a barriga, eu acabei não acreditando mais nela. E pior, acabei não acreditando mais em mim. Hoje vejo que consigo viver numa boa dando aulas de música e cantando e tocando em bares e eventos. Não tenho luxo algum, mas não devo nada a ninguém e tenho comida sempre na mesa.
Sim, confesso: sinto falta do povo louco da comunicação. Sinto falta das novidades, do dia a dia da comunicação. Sempre havia uma coisa nova, uma pessoa nova... conheci muita gente trabalhando e estudando nesta área. Foram-se quase 10 anos. Mas confesso que sair da Unisc me possibilitou fazer muitas coisas que há tempo eu já queria, mas a falta de tempo não me permitia.
Sair da Unisc simbolizou uma mudança de "estudante" pra "trabalhadora". E isso foi acontecendo em conjunto de uma série de coisas que me amadureceram aos poucos. Virei dona de casa. Voltei a dançar. Foi uma mudança bem radical, na verdade.
Não digo que nunca voltarei pra comunicação. Não posso também dizer que os anos na faculdade não serviram pra nada. Uso comunicação todos os dias da minha vida. Sou professora de música, estou sempre nos palcos e com certeza me utilizo muito de tudo que aprendi em minha formação acadêmica. Mas sinceramente, não me vejo mais dentro do curso. E olha que eu sabia lá no fundo que se um dia saísse, talvez não iria querer voltar.
É difícil parar, mas quando se pára de estudar, é muito difícil querer voltar. Quem sabe um dia eu volte e termine minha segunda graduação (faltavam apenas 6 disciplinas para me formar novamente). Não é apenas preguiça, mas a música e a dança estão me proporcionando momentos que sempre quis passar. Acho que na verdade eu que nunca me permiti sentir e viver isso.
Por isso, sempre digo: SE TU TENS VONTADE, O RESTO É BOBAGEM. Se você realmente gosta muito de algo, você vai e faz. A gente tem mania de ficar inventando desculpa pra não ser feliz. Nunca é tarde pra recomeçar. É preciso coragem, mas quando você quer, você arranja tempo, você arranja força e faz acontecer!
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sexta-feira, 28 de outubro de 2011
Vida dividida
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sábado, 31 de julho de 2010
Ensinando e aprendendo
Há duas semanas estou dando aulas de teclado na Academia de Música Evidências. Entrar substituindo alguém, já é um desafio de bom tamanho. Ganhar diversos alunos de uma só vez, cheios de diferenças de aprendizagem e de vários níveis diferentes é um desafio maior ainda. Depois do primeiro impacto, estou me acostumando com a nova rotina e confesso: estou adorando dar aulas. Nunca pensei que diria isso, mas realmente é sensacional a gente ver o aluno aprendendo. Observar todo o processo de aprendizagem de alguém é, sem dúvida, algo mágico! No meu caso, me refiro a dar aulas particulares e não em grupo.
Como já peguei o bonde andando, alguns alunos estavam estudando a mesma música, e é incrível a diferença de uma pessoa pra outra, a forma de tocar, a forma de aprender, a dificuldade de cada um, as manias e temperamentos, o jeito com que eles se auto-criticam quando erram, a maneira como comemoram quando acertam. É muito bom observar. Eu sempre fui fissurada pelo ser humano. Por tudo que envolve as relações humanas. Principalmente no que diz respeito a como compartilhar uma informação que você já tem conhecimento a outra pessoa que não sabe nada sobre aquilo.
É preciso saber como fazer para que cada pessoa aprenda da melhor forma o mesmo que você sabe, sob as condições e limitações dela. Parece que você tem que entrar no mundo dela, na forma, no jeito como ela pensa, nas "bagagens" que essa pessoa trás dentro de si, para ensinar de uma forma que aquela pessoa específica aprenda à sua maneira. Esses dias me deparei com um aluno dos pequenos, que não conseguia entender as divisões rítmicas. Para ele entender fração, porque teoria musical é pura matemática, é fração pura, fiz uma analogia das figuras com moedas de 1 real, 25 e 50 centavos, e assim por diante. Isso é um dos milhares de exemplos que se pode dar para a pessoa entender melhor. Aliás, como a música tem todo um simbologismo nas partituras, nada como se utilizar de analogias com coisas que as pessoas vivem todos os dias para fazê-las compreenderem mais facilmente aquilo que aparentemente está tão distante da realidade delas.
Não consigo desassociar o "ensinar" como "aprendendo em dobro". Assim como eu estou compartilhando o que já sei, o que aprendi, estou todos dias aprendendo algo novo. E o que eu tenho estudado, o tempo que tenho dedicado pra preparar as aulas, pra me desenferrujar de tanto tempo sem estudar tem sido muito desgastante, mas ao mesmo tempo gratificante. Estou conseguindo perceber resultados em mim e nos alunos. Me divirto trabalhando! E espero que eles também se sintam assim: aprendendo sem pressão e sem stress. Além do mais, música também é terapia e muitos estão lá não só para aprender como também para fugir um pouco dos seus problemas diários. Eles sabem que naquele momento da aula será um instante da semana em que eles vão parar e fazer algo por si mesmos. Algo que gostam e sentem prazer em fazer. E digo, o prazer também é meu! ;)
Como já peguei o bonde andando, alguns alunos estavam estudando a mesma música, e é incrível a diferença de uma pessoa pra outra, a forma de tocar, a forma de aprender, a dificuldade de cada um, as manias e temperamentos, o jeito com que eles se auto-criticam quando erram, a maneira como comemoram quando acertam. É muito bom observar. Eu sempre fui fissurada pelo ser humano. Por tudo que envolve as relações humanas. Principalmente no que diz respeito a como compartilhar uma informação que você já tem conhecimento a outra pessoa que não sabe nada sobre aquilo.
É preciso saber como fazer para que cada pessoa aprenda da melhor forma o mesmo que você sabe, sob as condições e limitações dela. Parece que você tem que entrar no mundo dela, na forma, no jeito como ela pensa, nas "bagagens" que essa pessoa trás dentro de si, para ensinar de uma forma que aquela pessoa específica aprenda à sua maneira. Esses dias me deparei com um aluno dos pequenos, que não conseguia entender as divisões rítmicas. Para ele entender fração, porque teoria musical é pura matemática, é fração pura, fiz uma analogia das figuras com moedas de 1 real, 25 e 50 centavos, e assim por diante. Isso é um dos milhares de exemplos que se pode dar para a pessoa entender melhor. Aliás, como a música tem todo um simbologismo nas partituras, nada como se utilizar de analogias com coisas que as pessoas vivem todos os dias para fazê-las compreenderem mais facilmente aquilo que aparentemente está tão distante da realidade delas.
Não consigo desassociar o "ensinar" como "aprendendo em dobro". Assim como eu estou compartilhando o que já sei, o que aprendi, estou todos dias aprendendo algo novo. E o que eu tenho estudado, o tempo que tenho dedicado pra preparar as aulas, pra me desenferrujar de tanto tempo sem estudar tem sido muito desgastante, mas ao mesmo tempo gratificante. Estou conseguindo perceber resultados em mim e nos alunos. Me divirto trabalhando! E espero que eles também se sintam assim: aprendendo sem pressão e sem stress. Além do mais, música também é terapia e muitos estão lá não só para aprender como também para fugir um pouco dos seus problemas diários. Eles sabem que naquele momento da aula será um instante da semana em que eles vão parar e fazer algo por si mesmos. Algo que gostam e sentem prazer em fazer. E digo, o prazer também é meu! ;)
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