Meu primeiro sintoma de stress é quando sinto aquela vontade de fugir, de estar em outro lugar longe de tudo e de todos. É normal do ser humano querer fugir da situação quando acontece algo que não estamos conseguindo lidar, quando sentimos que a situação está fugindo do nosso controle. Ao invés de solucionar, pronto, mais fácil, vamos viajar. Pra não ter que resolver, às vezes até se mudam de mala e cuia pra outro endereço.
Hoje em dia vejo muitos jovens (e quando falo isso já não me sinto mais tão jovem) não se demorando muito em relacionamentos e trabalho. Quando acham que aquilo não está mais lhe trazendo nenhum benefício, eles se desinteressam muito facilmente. No quesito relacionamentos, chega a ser decepcionante a forma como tratam o outro, como se ali na esquina já fossem achar outro sujeito mais interessante e que faça o que eles querem. No estudo, eles não tem paciência, querem ver resultados de imediato. Se fazem dieta, já querem emagrecer e atingir os objetivos logo no primeiro mês. No trabalho, logo já estão procurando outra coisa antes mesmo de se cansar do emprego.
Estamos sempre querendo mais. E não acho que isso seja ruim. O problema está quando aquilo que você tem ainda tem serventia pra você aprender e evoluir como pessoa. Mas só porque algum obstáculo apareceu, você nem tenta consertar. Logo substitui. Porque não renovar o que já se tem?
Fugir do que é difícil é muito fácil. Difícil mesmo é aguentar, esperar, analisar, tentar achar alguma solução que não seja abandonar. Covardia querer fugir antes que se surpreenda com o que pode acontecer no lugar que está.
Viajar às vezes é uma alternativa usada. Também não acho que seja errado. Faz bem uma viagem. Mas viaje não para fugir do problema. Viaje com a intenção de se conhecer melhor e de aproveitar a vida. Nunca para fugir de uma situação. Afinal, o sentimento viaja junto com a gente, onde quer que a gente esteja. Quando viajar, viaje em si mesmo primeiramente. Depois que o interior estiver todo descoberto, daí sim desbravar o exterior é uma ótima solução.
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quinta-feira, 21 de julho de 2016
Fuga
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terça-feira, 24 de fevereiro de 2015
Suicídio
Todas as vezes que alguém comete um suicídio eu fico meio pensativa. Fico refletindo sobre a vida, sobre as pessoas, fico só observando a vida meio de longe o dia todo.
A vida é passageira ou a gente é passageiro dela? Pessoas que tiram a sua própria vida é como se estivessem vendo a vida passar ali da janela do ônibus só esperando a próxima parada pra descer, antes mesmo de chegar no seu destino final. Loucos pra acabar logo com essa viagem, ao invés de apreciar a paisagem, saborear cada quilômetro que se roda. Têm alguns quilômetros que parecem que não vão passar nunca. Mas têm outros que dá vontade de pedir para o motorista voltar só pra gente passar mais uma vez por ali. Talvez mudando de poltrona pra ver de um ângulo diferente a mesma coisa.
Desistir de tudo assim tão fácil? As pessoas que tentam fugir do problema viajando eu até entendo, mas viajar dessa pra "melhor" é difícil de aceitar. Às vezes penso: eu nunca teria coragem. Mas seria coragem ou fraqueza? Porque coragem seria se a pessoa enfrentasse seja lá qual for a situação que estivesse passando.
Vejo tantas pessoas desistindo. Todos os dias tem alguém saltando do ônibus. Larga do trabalho no primeiro obstáculo que aparece, desiste do namoro na primeira briga, desiste de um curso na primeira falha que cometer. Tem aqueles que ficam pulando de poltrona em poltrona porque colocam defeito em todas, seja o chefe, o namorado, o emprego, um instrumento musical, ou até um carro. Estão sempre insatisfeitas. Nada compensa, porque não conseguem ver algo de bom naquilo que incomoda. E ao não saberem lidar com a situação, preferem pular fora, partem pra outra.
Sempre achei que o tipo de pessoas que faziam isso era o mesmo. Mas tenho me surpreendido. As pessoas ultimamente estão tão preocupadas em passar para os outros que estão bem, que quando menos se espera alguém que você nunca desconfiaria que sofre de depressão comete suicídio sem deixar vestígios do porquê, sem ter nenhum motivo aparente nem para os mais íntimos. Fico pensando se é coisa de um momento, de uma fase, ou se isso já vem de tempo, se a pessoa já tem propensão a fazer este tipo de coisa.
Desde que comecei a trabalhar com crianças vejo que esta insatisfação já começa cedo a se pronunciar. Elas mal iniciam algo e já desistem por qualquer problema que houver. E são difíceis de negociar. Não têm foco, não têm persistência. Se tivessem que criar algo como um Titanic, não sairia do papel ou afundaria antes mesmo de sair em alto mar. Não consigo imaginá-los alçando altos vôos. Como imaginá-los em uma viagem longa, se os vejo escolhendo o livro pelo número de páginas? O que será no futuro? Fico ali observando e imaginando-os como serão como adultos. Frustrados, no mínimo, não terminaram nada. Ou nem começaram. Vejo-os tão sem iniciativa. Muito raro quando alguma ideia parte deles. Só consigo os ver partindo da ideia, fugindo de criar algo com suas próprias mãos.
Fico pensando, somos nós que podamos essas crianças? Somos nós que não estamos sabendo valorizar o que eles têm de melhor? Estamos levando eles ao suicídio de sua própria personalidade? Gostaria que a viagem terminasse diferente. E que todos chegassem ao final tendo apreciado o caminho que percorreram. Que não quisessem desistir, que tentassem ao menos arriscar indo um pouco mais além. Por mais difícil que esteja o tempo, seguissem a viagem tranquilos de que qualquer tempestade não perdurará. E que o sol que virá no dia seguinte os fizesse querer estar ali ainda, nessa viagem que a gente nunca sabe a hora que acaba. Que comprem uma nova passagem, mas sigam em frente. #partiu #aproveitaravida
A vida é passageira ou a gente é passageiro dela? Pessoas que tiram a sua própria vida é como se estivessem vendo a vida passar ali da janela do ônibus só esperando a próxima parada pra descer, antes mesmo de chegar no seu destino final. Loucos pra acabar logo com essa viagem, ao invés de apreciar a paisagem, saborear cada quilômetro que se roda. Têm alguns quilômetros que parecem que não vão passar nunca. Mas têm outros que dá vontade de pedir para o motorista voltar só pra gente passar mais uma vez por ali. Talvez mudando de poltrona pra ver de um ângulo diferente a mesma coisa.
Desistir de tudo assim tão fácil? As pessoas que tentam fugir do problema viajando eu até entendo, mas viajar dessa pra "melhor" é difícil de aceitar. Às vezes penso: eu nunca teria coragem. Mas seria coragem ou fraqueza? Porque coragem seria se a pessoa enfrentasse seja lá qual for a situação que estivesse passando.
Vejo tantas pessoas desistindo. Todos os dias tem alguém saltando do ônibus. Larga do trabalho no primeiro obstáculo que aparece, desiste do namoro na primeira briga, desiste de um curso na primeira falha que cometer. Tem aqueles que ficam pulando de poltrona em poltrona porque colocam defeito em todas, seja o chefe, o namorado, o emprego, um instrumento musical, ou até um carro. Estão sempre insatisfeitas. Nada compensa, porque não conseguem ver algo de bom naquilo que incomoda. E ao não saberem lidar com a situação, preferem pular fora, partem pra outra.
Sempre achei que o tipo de pessoas que faziam isso era o mesmo. Mas tenho me surpreendido. As pessoas ultimamente estão tão preocupadas em passar para os outros que estão bem, que quando menos se espera alguém que você nunca desconfiaria que sofre de depressão comete suicídio sem deixar vestígios do porquê, sem ter nenhum motivo aparente nem para os mais íntimos. Fico pensando se é coisa de um momento, de uma fase, ou se isso já vem de tempo, se a pessoa já tem propensão a fazer este tipo de coisa.
Desde que comecei a trabalhar com crianças vejo que esta insatisfação já começa cedo a se pronunciar. Elas mal iniciam algo e já desistem por qualquer problema que houver. E são difíceis de negociar. Não têm foco, não têm persistência. Se tivessem que criar algo como um Titanic, não sairia do papel ou afundaria antes mesmo de sair em alto mar. Não consigo imaginá-los alçando altos vôos. Como imaginá-los em uma viagem longa, se os vejo escolhendo o livro pelo número de páginas? O que será no futuro? Fico ali observando e imaginando-os como serão como adultos. Frustrados, no mínimo, não terminaram nada. Ou nem começaram. Vejo-os tão sem iniciativa. Muito raro quando alguma ideia parte deles. Só consigo os ver partindo da ideia, fugindo de criar algo com suas próprias mãos.
Fico pensando, somos nós que podamos essas crianças? Somos nós que não estamos sabendo valorizar o que eles têm de melhor? Estamos levando eles ao suicídio de sua própria personalidade? Gostaria que a viagem terminasse diferente. E que todos chegassem ao final tendo apreciado o caminho que percorreram. Que não quisessem desistir, que tentassem ao menos arriscar indo um pouco mais além. Por mais difícil que esteja o tempo, seguissem a viagem tranquilos de que qualquer tempestade não perdurará. E que o sol que virá no dia seguinte os fizesse querer estar ali ainda, nessa viagem que a gente nunca sabe a hora que acaba. Que comprem uma nova passagem, mas sigam em frente. #partiu #aproveitaravida
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