Muita gente próxima a mim sempre vive me dizendo: lá vem a Lívia e suas teorias... Pois bem, resolvi expor uma delas aqui para todos... Hoje escolhi a teoria das reticências... Tudo começou quando minha mãe e uma amiga minha estavam aqui em casa lendo um texto escrito por mim há muito tempo e falaram que eu colocava muitas reticências até onde não necessitava... Nunca tinha percebido essa minha tendência às reticências... Você já percebeu algo estranho nesse primeiro trecho...? Vou ver até onde eu aguento com elas...
Depois que elas mencionaram essa minha mania, minha amiga disse: é porque tu sempre deixa reticências nas tuas relações também... tu nunca terminou uma relação por inteiro, sempre deixou algo no ar... E minha mãe, pra completar, concordou... Eu comecei a me observar... Realmente tinha algo de verdade naquilo que elas disseram... Hoje em dia já não me sinto com essa característica tão forte assim... Mas ainda continuo deixando muitas coisas no ar... Prefiro sempre deixar na dúvida, do que dar total certeza da minha intenção pra outra pessoa...
Sempre deixei inacabadas relações que não tiveram duração longa... Namoros eu sempre acabei 100%. Nenhum dos meus ex eu mantenho uma relação que fique algo no ar, sempre tudo muito às claras, sem deixas. Mas em compensação outros romances sempre ficaram em abertos... nunca um ponto final. Sempre vírgulas, "e se..." ou reticências...
Afinal, o mistério é o que faz a relação (qualquer relação) durar mais... Se eu mostrar tudo de uma vez só, que graça teria? É preciso sempre surprender o outro... e surpresa nada mais é do que ter sempre algo novo a ser mostrado... E quando achar que já mostrou tudo, saber reinventar o que já é conhecido... Haja criatividade nos relacionamentos...
Hoje em dia, até uso as reticências, porém me mantenho no mesmo texto, cultivando as palavras inesgotavelmente neste mesmo assunto, admirando as vírgulas, adiando um ponto final. Deste meu texto atual, aceito dois pontos, exclamo as alegrias, interrogo os obstáculos, volte e meia dou uns travessões, mas luto todos os dias para que o texto nunca acabe, só se reescreva.
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sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016
Teoria das Reticências
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terça-feira, 4 de maio de 2010
Quem cala, consente!
Tenho notado em vários comentários com amigos que as relações se complicam justamente no silêncio. Algumas precisam de mais silêncio mesmo e o mínimo de interferências externas. Mas a maioria acaba se afundando em um silêncio que vai se acumulando ao longo dos anos. O marido tem certeza que a mulher sabe que ele não gosta de cebola no arroz. A mulher tem certeza que o marido sabe que ela não gosta que apertem a pasta de dente de uma tal maneira. Mas, na realidade, nenhum sabe dos gostos um do outro.
Porque no início da relação é uma fase de descoberta constante. Tudo é motivo de curiosidade: Como tu gosta que te façam carinho? Qual é a parte que você mais gosta em mim? O que você mais gosta de comer? Qual a sua cor preferida? Você quer descobrir tudo do outro, pra agradar e conquistar este outro. Aí a paixão vai embora, as perguntas começam a ser menos frequentes e o silêncio vai tomando conta. Não se tem mais o que descobrir. Eu já sei tudo. Conheço ele há anos, ele nunca faria isso. Porque o meu marido gosta disso assim. Porque minha mulher sempre fala assim. Parece que nada mais nos surpreende.
Você tem certeza que seu marido sabe que você não gosta de lavar a louça, porque você sempre foge, vai no banheiro e só chega na cozinha quando ele já está lavando. Ou ele nunca faz isso e você fica "p da vida" porque ele faz isso de propósito. Ora, ele sabe que eu não gosto e mesmo assim não colabora. Mas você nunca disse: amor, prefiro secar a louça, vamos manter um trato? Quem cozinha, seca a louça?
Ele tem certeza que você prefere passar a roupa do que tirar o pó, porque você nunca tira o pó. Não! Ele simplesmente não tem bola de cristal pra saber que você não gosta disso, simplesmente porque não faz. Simplesmente ele não sabe, porque você nunca disse.
E se baseando em deduções, a gente vai deixando o silêncio falar mais alto, acumulando fatos e atritos que quando chegarem a certo ponto, vão incomodar tanto que vão parecer catástrofes. Vão causar brigas desnecessárias, por bobagens que você vai parar uma hora e vai se perguntar: Nossa, porque a gente tá brigando por isso? Que coisa à toa! Mas mesmo sabendo disso, você vai ficar se remoendo e vai querer discutir até que o outro entenda, por bem ou por mal, que você quer as coisas do seu jeito. Porque aí nesse ponto, nem vai importar o que o outro prefere. Você já está querendo é se vingar do desgraçado que insiste em fazer daquele jeito, mesmo sabendo que você não gosta, só pra te irritar.
E o outro? Nem sabe. Nem tem como entender o porque dessa tempestade em copo d'água. Porque o silêncio fez questão de esconder o porquê. Ele é quem está no controle da situação agora. O diálogo já está fora do vocabulário de muitos relacionamentos. Talvez até o marido e a mulher já estejam fora desses relacionamentos. Talvez não fisicamente, mas em pensamento... já era! E garanto que quando acabar, não vão nem saber o porquê.
Porque no início da relação é uma fase de descoberta constante. Tudo é motivo de curiosidade: Como tu gosta que te façam carinho? Qual é a parte que você mais gosta em mim? O que você mais gosta de comer? Qual a sua cor preferida? Você quer descobrir tudo do outro, pra agradar e conquistar este outro. Aí a paixão vai embora, as perguntas começam a ser menos frequentes e o silêncio vai tomando conta. Não se tem mais o que descobrir. Eu já sei tudo. Conheço ele há anos, ele nunca faria isso. Porque o meu marido gosta disso assim. Porque minha mulher sempre fala assim. Parece que nada mais nos surpreende.
Você tem certeza que seu marido sabe que você não gosta de lavar a louça, porque você sempre foge, vai no banheiro e só chega na cozinha quando ele já está lavando. Ou ele nunca faz isso e você fica "p da vida" porque ele faz isso de propósito. Ora, ele sabe que eu não gosto e mesmo assim não colabora. Mas você nunca disse: amor, prefiro secar a louça, vamos manter um trato? Quem cozinha, seca a louça?
Ele tem certeza que você prefere passar a roupa do que tirar o pó, porque você nunca tira o pó. Não! Ele simplesmente não tem bola de cristal pra saber que você não gosta disso, simplesmente porque não faz. Simplesmente ele não sabe, porque você nunca disse.
E se baseando em deduções, a gente vai deixando o silêncio falar mais alto, acumulando fatos e atritos que quando chegarem a certo ponto, vão incomodar tanto que vão parecer catástrofes. Vão causar brigas desnecessárias, por bobagens que você vai parar uma hora e vai se perguntar: Nossa, porque a gente tá brigando por isso? Que coisa à toa! Mas mesmo sabendo disso, você vai ficar se remoendo e vai querer discutir até que o outro entenda, por bem ou por mal, que você quer as coisas do seu jeito. Porque aí nesse ponto, nem vai importar o que o outro prefere. Você já está querendo é se vingar do desgraçado que insiste em fazer daquele jeito, mesmo sabendo que você não gosta, só pra te irritar.
E o outro? Nem sabe. Nem tem como entender o porque dessa tempestade em copo d'água. Porque o silêncio fez questão de esconder o porquê. Ele é quem está no controle da situação agora. O diálogo já está fora do vocabulário de muitos relacionamentos. Talvez até o marido e a mulher já estejam fora desses relacionamentos. Talvez não fisicamente, mas em pensamento... já era! E garanto que quando acabar, não vão nem saber o porquê.
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quarta-feira, 28 de abril de 2010
Não complica, explica!!!
Porque a gente complica o que é tão simples? Seria tão mais fácil chegar pro outro e dizer:
"Olha, eu não gostei disso que tu fez, mas gosto de ti independente disso, só tenta não repetir mais o erro, tá?"
"Eu tô de cara com a vida, tô afim de ir pra academia e ficar sozinha hoje, podemos nos ver amanhã? O problema é comigo, não tem nada a ver com a gente, ok?"
"Poxa, adorei ter ficado contigo, tu também tá afim, vamos ficar juntos sem cobranças, sem pensar no que vai acontecer... sem fazer planos!"
Se tudo fosse tão simples assim... E pior que realmente é! Mas as pessoas complicam. Se não tem problema, arrumam. Se tem cabelo liso, querem encaracolado; se estão solteiras, querem ter namorado; se estão comprometidas, querem estar solteiras... O ser humano nunca está realmente satisfeito. E quando consegue conquistar aquilo que tanto desejou, o "aquilo", agora, já não é o bastante. Sede de quero mais.
No início de um relacionamento já começam as contradições... se um não dá bola, tá se fazendo. Se o outro dá corda, tá dando muita bandeira e se precipitando. Se um rejeita o outro, o outro acaba se apaixonando. Se um corre atrás, o outro pega nojo e foge. Se ser sincero (nossa, se tivesse que falar isso em voz alta não sairia! hehe) afasta as pessoas, o negócio então é não demonstrar, não falar, deixar tudo na dúvida, mandar o coração pras cucunhas, ver o navio passar, pensar em outra coisa pra não cair na tentação de sair falando o que pensa e o que sente.
Porque o coração não se impõe contra a cabeça? Porque temos que ser racionais quando o assunto é do outro departamento chamado coração? Porque quando somos racionais ao tratar deste assunto, o outro acaba tratando com emoção ao invés da razão? Porque o amor tem que ser esse jogo de eu tô por cima, eu tô comandando a situação, eu tô mais seguro... Pra que jogar? Pra que ter que pensar, quando o momento é de sentir e deixar rolar? Porque o coração não pode se manifestar? Porque temos que nos resguardar tanto, quando a vontade real é de se entregar àquela sensação boa... sensação esta que nenhuma razão saberia descrever. Então, porque se mete se não sabe nem explicar!!
Se o segredo é ter o mistério e saber mantê-lo para o outro se surpreender ao longo da relação, porque ativaram essa função no coração de querer se expressar? Se o bom é saber que se é amado e está amando, porque inventaram que a cabeça tinha que participar da história?
Os setores extremos de nosso corpo não podiam se enfrentar assim, nem ter acesso a certas informações um do outro. Deveria ser um mercado clandestino, no qual cada um fizesse as transações de maneira independente, sem deixar rastros nem indícios. Deveriam ter feito os dois na mesma altura, sem hierarquias e sem contato. Cada um no seu quadrado. Simples assim. E na verdade, é tudo simples. Mas inventaram o homem, o cérebro, o coração e aí jogaram o amor pra dentro do mesmo jogo. O segundo tentou entender, o terceiro tentou sentir, o amor tentou unir os dois, mas acabou botando mais pilha na briga... e o homem? Se fudeu.
"Olha, eu não gostei disso que tu fez, mas gosto de ti independente disso, só tenta não repetir mais o erro, tá?"
"Eu tô de cara com a vida, tô afim de ir pra academia e ficar sozinha hoje, podemos nos ver amanhã? O problema é comigo, não tem nada a ver com a gente, ok?"
"Poxa, adorei ter ficado contigo, tu também tá afim, vamos ficar juntos sem cobranças, sem pensar no que vai acontecer... sem fazer planos!"
Se tudo fosse tão simples assim... E pior que realmente é! Mas as pessoas complicam. Se não tem problema, arrumam. Se tem cabelo liso, querem encaracolado; se estão solteiras, querem ter namorado; se estão comprometidas, querem estar solteiras... O ser humano nunca está realmente satisfeito. E quando consegue conquistar aquilo que tanto desejou, o "aquilo", agora, já não é o bastante. Sede de quero mais.
No início de um relacionamento já começam as contradições... se um não dá bola, tá se fazendo. Se o outro dá corda, tá dando muita bandeira e se precipitando. Se um rejeita o outro, o outro acaba se apaixonando. Se um corre atrás, o outro pega nojo e foge. Se ser sincero (nossa, se tivesse que falar isso em voz alta não sairia! hehe) afasta as pessoas, o negócio então é não demonstrar, não falar, deixar tudo na dúvida, mandar o coração pras cucunhas, ver o navio passar, pensar em outra coisa pra não cair na tentação de sair falando o que pensa e o que sente.
Porque o coração não se impõe contra a cabeça? Porque temos que ser racionais quando o assunto é do outro departamento chamado coração? Porque quando somos racionais ao tratar deste assunto, o outro acaba tratando com emoção ao invés da razão? Porque o amor tem que ser esse jogo de eu tô por cima, eu tô comandando a situação, eu tô mais seguro... Pra que jogar? Pra que ter que pensar, quando o momento é de sentir e deixar rolar? Porque o coração não pode se manifestar? Porque temos que nos resguardar tanto, quando a vontade real é de se entregar àquela sensação boa... sensação esta que nenhuma razão saberia descrever. Então, porque se mete se não sabe nem explicar!!
Se o segredo é ter o mistério e saber mantê-lo para o outro se surpreender ao longo da relação, porque ativaram essa função no coração de querer se expressar? Se o bom é saber que se é amado e está amando, porque inventaram que a cabeça tinha que participar da história?
Os setores extremos de nosso corpo não podiam se enfrentar assim, nem ter acesso a certas informações um do outro. Deveria ser um mercado clandestino, no qual cada um fizesse as transações de maneira independente, sem deixar rastros nem indícios. Deveriam ter feito os dois na mesma altura, sem hierarquias e sem contato. Cada um no seu quadrado. Simples assim. E na verdade, é tudo simples. Mas inventaram o homem, o cérebro, o coração e aí jogaram o amor pra dentro do mesmo jogo. O segundo tentou entender, o terceiro tentou sentir, o amor tentou unir os dois, mas acabou botando mais pilha na briga... e o homem? Se fudeu.
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